AS LIÇÕES DO RIO JUCU
*Reinaldo Gonçalves
O
Rio Jucu continua correndo sozinho, sem nós participantes do 17º.
ENA. Vai seguindo seu caminho e não necessita ser empurrado. Apressa-se
nas vazantes e enchentes e no meio de todas as impurezas que recebe do
HOMEM, desliza mansinho. Ignora até a passagem da Ponte da Madalena
tão decantada em versos. Sabe que há um ponto de chegada,
por conseguinte o seu destino é sempre ir para a frente. Vitorioso
consegue chegar ao Mar. O Mar é a sua realização
no processo da CAMINHADA.
A vida da gente deve ser levada do jeito do Rio Jucu, sem medo da calmaria
e sem evitar as cachoeiras. Corre do jeito do rio, na liberdade do leito
da vida, sabendo que há UM PONTO DE CHEGADA.
Limpamos o lixo (garrafas, plásticos, sacos, vidros e outros cacarecos)
que circundava aquela área e plantamos as árvores nos “berçários”
previamente preparados. E nos demos as mãos em sinal de respeito
com a mãe natureza, que imediatamente rompia o silêncio em
agradecimento pelo abraço da paz. E todos invocamos o Pai do Céu
com a sua própria Oração. Saímos todos felizes
com o lindo “gesto concreto” plantado, esperançosos
de futuros arvoredos. Pessoas que por ali passavam e/ou ali estavam representando
o poder público municipal, também louvaram e aplaudiram
tamanha atitude.
Curioso, uma semana após tamanho gesto, fui rever as “ pequeninas
árvores”. E qual o susto: creio que mais de 60% estavam totalmente
secas. As restantes, ainda com vida, se viam ameaçadas pelas impurezas
dos freqüentadores daquele local. Parte do madeirame que delimitava
a área, estava arrancado e ainda permaneciam ali amontoados os
mais de 15 sacos de lixos catados pelos 500 encontristas do 17º.
ENA. É que, lamentavelmente, o Poder Público não
teve tempo de dar uma atenção especial ao tamanho feito.
Fiz minha segunda oração atrelada a um pedido de perdão
à mãe natureza.
As estatísticas tão divulgadas e do conhecimento de todos
nós, apontam para uma lentidão e um descaso com o meio ambiente
de proporções incalculáveis. Observamos que tanto
os países do 1º. mundo, quanto os demais continuam a inundar
o planeta com toda forma de poluição.
No Brasil, 40% das praias estão afetadas por sacos e garrafas plásticas,
latas, vidros quebrados, óleo e tantos outros poluentes.
Pe. Dalton em suas provocações nos afirma: “Habitamos
o planeta terra. Planetinha delicioso na imensidão do universo.
Nesta terra vivemos com outros “ bichos do mundo”. Coisa certa
é que para eles e nós, um mundo igual: o mesmo ar, as mesmas
águas e florestas, os mesmos biomas, o mesmo chão. Em boa
medida, os mesmos alimentos”.
Aos nossos amigos do Espírito Santo, que nos acolheram de braços
abertos, o mais sincero perdão pelo descaso público.
Embora que incerta, a nossa irracionalidade pode nos remeter ao “amanhã”,
mas o hoje nos contempla com a eterna gratidão pelas agradáveis
surpresas das belas praias que circundam o Rio Jucu.
Devemos lembrar, entretanto, que a natureza não tem pressa. A pressa
é nossa. Ela, a natureza, vai seguindo o seu caminho. Como as árvores
e os animais, assim somos nós. A fruta forçada a amadurecer
antes do tempo perde o gosto.
E o majestosos Rio Jucu, com certeza irá persistir pra ser um rio
limpo, original e livre para construir o seu próprio caminho na
história de Vila Velha, sem depender de ninguém. Pouco importa
ter nascido longe ou perto do mar. Importa é dizer “cheguei”.
• Membro do MFC do Amapá