MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO - CORREIO MFC BRASIL 237
03 DE JUNHO DE 2010 - SE DESEJAR, RETRANSMITA PARA A SUA LISTA DE CORRESPONDENTES. ESTE É UM PROGRAMA DE EVANGELIZAÇÃO, FORMAÇÃO FAMILIAR, CONSCIENTIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA DO MFC. APRECIAREMOS COMENTÁRIOS, CRÍTICAS E SUGESTÕES.
A Igreja tem um velho problema por resolver. A cada momento se vê envolvida com desvios de comportamento sexual de um número preocupante de clérigos que causam estragos na sua credibilidade e rombos em suas finanças.
Hélio e Selma Amorim *
A crise tem causas a remover
Os casos graves e numerosos de pedofilia desocultados em vários países,
tentativamente encobertos sistematicamente pela hierarquia superior, vêm
sendo amplamente divulgados mundo afora, gerando justa revolta e indenizações
milionárias às vítimas dessas agressões.
Autoridades religiosas têm manifestado preocupações sobre
o risco de desdobramentos de comportamentos incorretos no exercício
futuro de suas funções, já que sacerdotes estarão
sempre envolvidos com grupos de diferentes faixas etárias, em colégios
religiosos e paróquias, muitas vezes envolvendo crianças ou
adolescentes sem maturidade para defender-se de eventuais assédios
de natureza sexual.
Também se vão revelando nos seminários de formação
de sacerdotes elevado percentual de jovens homossexuais e consequentes práticas
de homossexualismo em níveis e freqüência acima dos índices
sociais desse aspecto da sexualidade humana. O Vaticano chegou a anunciar
há cerca de um ano uma mega operação mobilizando grande
número de inspetores para visitar 229 seminários norteamericanos
e investigar a incidência do problema do homossexualismo. Visava à
exclusão de candidatos ao sacerdócio que apresentassem essa
tendência sexual, o que seria uma discriminação inaceitável.
Esse quadro – certamente realista – ressalta o fato de estar a
Igreja
lidando com uma das questões não ou mal resolvidas nas doutrinas,
disciplinas e práticas eclesiais. A sexualidade humana foi sendo demonizada
ao longo dos séculos, na construção do corpo de doutrinas
e normas eclesiásticas, nem sempre rigorosamente evangélicas.
Foram elaboradas por santos teólogos varões, celibatários
forçados, geralmente submetidos a uma formação castradora
do impulso sexual, para serem capazes de defender-se do risco de envolvimentos
afetivos e assédios de forte estimulação de sua sexualidade
que pusessem em risco o voto do celibato imposto.
A castração intencional de um impulso tão fundamental
é uma violência contra a pessoa humana e contra Deus que nos
dotou a todos desse estímulo rico para a construção de
relações interpessoais profundas e humanizadoras. Para construí-las
e constituir família fomos criados.
Por outro lado, a sublimação livre e espontânea desse
impulso, não condicionada ou induzida por pressões psicológicas
e preconceituosas contra a sexualidade, para abraçar uma vocação
rara e especial de serviço ao Povo de Deus, em situações
limites, é sem dúvida um valor heróico. Não é
o caso da maioria dos sacerdotes designados para gerir uma paróquia
ou exercer o magistério em seminários e universidades católicas,
atividades compatíveis com a constituição de uma família
e a realização plena da sexualidade que alimenta uma rica vivência
afetiva querida por Deus.
Arriscamo-nos a afirmar que na norma do celibato obrigatório está
a origem dos problemas que a Igreja pretende resolver de forma canhestra e
preconceituosa. O homossexualismo não é uma enfermidade ou deformação
de caráter. A ciência ensina que tem origem na formação
biopsíquica original do ser humano, que definirá sua constituição
sexual não apenas orgânica e morfológica, mas o direcionamento
do impulso para relações afetivas profundas homo ou heterossexuais.
A ampla predominância da segunda tendência na sociedade não
permite desqualificar a outra como deformação ou enfermidade
psíquica.
Em suma, a vocação para o sacerdócio pode ser viva e
verdadeira tanto no homossexual como no heterossexual que também tenha
uma forte e bela vocação para o casamento e a paternidade. Um
e outro não deveriam ser impedidos de abraçá-las, por
não se configurar qualquer incompatibilidade.
O crescimento da participação de homossexuais no conjunto de
candidatos e no próprio clero já ordenado pode ser explicado
também pela norma do celibato obrigatório. Com efeito, o homossexual
justifica socialmente a sua dificuldade para relações afetivas
com mulheres por seu voto de celibato solenemente assumido. Sente-se, por
outro lado, atraído por integrar-se a uma corporação
exclusivamente masculina, que corresponde ao tipo de convivência próprio
de sua constituição sexual. Nos seminários, ao longo
de anos de convivência, acresce a possibilidade do envolvimento afetivo
e da prática homossexual que agora estará sendo investigada
naqueles países.
É claro que ninguém acredita tratar-se de um fenômeno
exclusivo dos países já reconhecidamente afetados. É
uma advertência aos reitores de todos os seminários do planeta,
para que não adotem esse repúdio preconceituoso de homossexuais.
Tampouco a homossexualidade explicará os desvios para a pedofilia criminosa.
É mais provável que esse tipo de assédio tenha autores
heterossexuais cujo impulso sexual tenha sido reprimido por aquela formação
castradora que acaba aflorando sob formas odiosas de comportamento.
É chegado ainda que tardio o tempo propício para a discussão
ampla da sexualidade na vida da Igreja e em suas normas e doutrinas questionáveis
sobre essa rica realidade humana. O mesmo se aplica à persistente exclusão
das mulheres do acesso ao sacerdócio, uma expressão inaceitável
do medo da feminilidade nos espaços do clero e governo da Igreja.
Essa visão deformada da sexualidade também interfere freqüente
e indevidamente nas doutrinas sobre relações conjugais, no planejamento
familiar, e de modo injustificável na acolhida “generosa”
e humilhante aos que fracassaram no casamento e reconstruíram a sua
vida afetiva com benefícios para todos os envolvidos, minimizando os
efeitos sofridos da separação irreversível.
*Membros do MFC Movimento Familiar Cristão e do INFA Instituto da Família.
Frases
"O homem sábio é aquele que não se entristece com
as coisas que não tem, mas rejubila-se com as que tem." ( Epiteto
)
"O conhecimento chega, mas a sabedoria demora." ( Alfred Tennyson
)
Utilidade Pública
Não mate, não morra. Se beber, não dirija..

CORREIO MFC BRASIL 232
02 DE ABRIL DE 2010
Condenado por anunciar um mundo mais justo, querido por Deus, no qual os pobres e excluídos seriam bem aventurados e os ricos e exploradores do povo seriam perdedores.
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CORREIO MFC BRASIL 231
Entre os muitos problemas que assolam a humanidade, dois são de especial gravidade: a injustiça social e a injustiça ecológica. Ambos devem ser enfrentados conjuntamente se quisermos pôr em rota segura a humanidade e o planeta Terra...[mais]
CORREIO MFC BRASIL 230
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Já é auspiciosa uma Campanha da Fraternidade ecumênica. Ela mostra que é possível as Igrejas se entenderem em torno das questões importantes..[mais]
CORREIO MFC BRASIL 229
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CORREIO MFC BRASIL 228
Nenhuma sociedade no passado ou no presente
vive sem uma ética. Como seres sociais, precisamos elaborar certos
consensos, coibir certas ações e criar projetos coletivos que
dão sentido e rumo à história. Hoje, devido ao fato da
globalização, constata-se o encontro de muitos projetos éticos
nem todos compatíveis entre si. Face à nova era da humanidade,
agora mundializada, sente-se a urgência de um patamar ético mínimo
que possa ganhar o consentimento de todos e assim viabilizar a convivência
dos povos. Vejamos, sucintamente, como na história se formularam as
éticas...[mais]