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MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO

MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO - CORREIO MFC BRASIL 231

08 DE MARÇO DE 2010 - SE DESEJAR, RETRANSMITA PARA A SUA LISTA DE CORRESPONDENTES. ESTE É UM PROGRAMA DE EVANGELIZAÇÃO, FORMAÇÃO FAMILIAR, CONSCIENTIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA DO MFC. APRECIAREMOS COMENTÁRIOS, CRÍTICAS E SUGESTÕES.


Entre os muitos problemas que assolam a humanidade, dois são de especial gravidade: a injustiça social e a injustiça ecológica. Ambos devem ser enfrentados conjuntamente se quisermos pôr em rota segura a humanidade e o planeta Terra.

Justiça social – Justiça ecológica

Leonardo Boff
Teólogo

A injustiça social é coisa antiga, derivada do modelo econômico que, além de depredar a natureza, gera mais pobreza que pode gerenciar e superar. Ele implica grande acúmulo de bens e serviços de um lado à custa de clamorosa pobreza e miséria de outro. Os dados falam por si: há um bilhão de pessoas que vive no limite da sobrevivência com apenas um dólar ao dia. E há, 2,6 bilhões (40% da humanidade) que vivem com menos de dois dólares diários. As consequências são perversas. Basta citar um fato: contam-se entre 350-500 milhões de casos de malária com um milhão de vítimas anuais, evitáveis.
Essa anti-realidade foi por muito tempo mantida invisível para ocultar o fracasso do modelo econômico capitalista feito para criar riqueza para poucos e não o bem-estar para a humanidade.

A segunda injustiça, a ecológica está ligada à primeira. A devastação da natureza e o atual aquecimento global afetam todos os países, não respeitando os limites nacionais nem os níveis de riqueza ou de pobreza. Logicamente, os ricos têm mais condições de adaptar-se e mitigar os efeitos danosos das mudanças climáticas. Face aos eventos extremos, possuem refrigeradores ou aquecedores e podem criar defesas contra inundações que assolam regiões inteiras. Mas os pobres não têm como se defender. Sofrem os danos de um problema que não criaram. Fred Pierce, autor de "O terremoto populacional" escreveu no New Scientist de novembro de 2009: "os 500 milhões dos mais ricos (7% da população mundial) respondem por 50% das emissões de gases produtores de aquecimento, enquanto 50% dos mais pobres (3,4 bilhões da população) são responsáveis por apenas 7% das emissões".
Esta injustiça ecológica dificilmente pode ser tornada invisível como a outra, porque os sinais estão em todas as partes, nem pode ser resolvida só pelos ricos, pois ela é global e atinge também a eles. A solução deve nascer da colaboração de todos, de forma diferenciada: os ricos, por serem mais responsáveis no passado e no presente, devem contribuir muito mais com investimentos e com a transferência de tecnologias e os pobres têm o direito a um desenvolvimento ecologicamente sustentável, que os tire da miséria.
Seguramente, não podemos negligenciar soluções técnicas. Mas sozinhas são insuficientes, pois a solução global remete a uma questão prévia: ao paradigma de sociedade que se reflete na dificuldade de mudar estilos de vida e hábitos de consumo. Precisamos da solidariedade universal, da responsabilidade coletiva e do cuidado por tudo o que vive e existe (não somos os únicos a viver neste planeta nem a usar a biosfera ). É fundamental a consciência da interdependência entre todos e da unidade Terra e humanidade. Pode-se pedir às gerações atuais que se rejam por tais valores se nunca antes foram vividos globalmente? Como operar essa mudança que deve ser urgente e rápida?
Talvez somente após uma grande catástrofe que afligiria milhões e milhões de pessoas poder-se-ia contar com esta radical mudança, até por instinto de sobrevivência. A metáfora que me ocorre é esta: nosso pais é invadido e ameaçado de destruição por alguma força externa. Diante desta iminência, todos se uniriam, para além das diferenças. Como numa economia de guerra, todos se mostrariam cooperativos e solidários, aceitariam renúncias e sacrifícios a fim de salvar a pátria e a vida. Hoje a pátria é a vida e a Terra ameaçadas. Temos que fazer tudo para salvá-las.

Leonardo Boff é autor de Opção-Terra: a solução para a Terra não cai do céu, Record (2008).

Frases

“Há pessoas que desejam saber só por saber, e isso é curiosidade; outras, para alcançarem fama, e isso é vaidade; outras, para enriquecerem com a sua ciência, e isso é um negócio torpe; outras, para serem edificadas, e isso é prudência; outras, para edificarem os outros, e isso é caridade"

Santo Agostinho

“Não é teu aquilo que distribuis ao pobre, estás apenas lhe restituindo o que é dele. Porque foste tu que usurpaste aquilo que é dado a todos para o bem de todos. A terra pertence a todos, e não aos ricos”.

Santo Ambrosio – SurNaboth, XII, 53, PL, 14, 747 B, ibid., p. 252. Este texto é citado pela encíclica Populorum Progressio, n. 23

"A sabedoria não nos é dada. É preciso descobri-la por nós mesmos, depois de uma viagem que ninguém nos pode poupar ou fazer por nós."

Marcel Proust.................

"O que não sabe é um imbecil. O que sabe e cala é um criminoso."

Bertold Brecht..................

Política coisa séria

O Projeto de Lei de Iniciativa Popular para impedir candidaturas de "ficha suja" está caminhando no Congresso. Tudo indica que será alterado por emendas que limitarão os impedimentos a condenações somente em segunda instância, O milhão e meio de eleitores que subscreveram o projeto esperam sua aprovação sem grandes esperanças de vê-lo aprovado e aplicado já nas eleições deste ano. Grande número dos parlamentares atuais têm a ficha criminal bastante arranhada e não votarão em nada que dificulte ou impeça a sua reeleição. Esse é o impasse que só será resolvido por pressão das instituições sociais, políticas, culturais e eclesiais intermediárias com participação popular em manifestações e repercussão na mídia. Para prevenir possível retardo na promulgação dessa lei, restará a possibilidade de ampla divulgação, por aquelas instituições, de informações sobre a situação higiênica dos candidatos de cada estado, obtidas por organizações privadas atuantes nas áreas da advocacia, como a OAB, melhor preparadas para pesquisar processos judiciais em curso. É hora de promover-se este movimento e as informações sejam difundidas tempestivamente para evitar o voto distraído de muitos eleitores habitualmente desatentos a esses cuidados cívicos. A boa notícia desta semana: o TSE aprovou a publicação na internet das fichas criminais sujas ou limpas dos candidatos.