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LETRA DO HINO DE 50 ANOS DO MFC - BRASIL
Brasileiros
de braços abertos
Etnias de todos irmãos
Nossa historia nos identifica
Movimento Familiar Cristão
Nossa
força maior é Cristo
Que nos diz para amar sempre mais
Sendo sal, sendo luz, sendo apoio
Para o Reino crescer muito mais
Nossa
fé é uma luta sagrada
Pra viver o que Maria ensinou
Nas equipes, família e na vida
Seu exemplo sempre nos motivou
REFRÃO
Fiéis
unidos, o evangelho a cantar
Orando firmes com ação e fervor
Pra fazer o matrimônio e o lar
Eternas, Santas moradas do amor.
Nós
somamos nesse Movimento
Cinqüenta anos de vanguarda a manter
O respeito, a amizade e o caminho
Pra você sempre, sempre crescer
Será que a globalização, essa for¬ça
que anda redefinindo o mundo, melhorará ou piorará as coisas?
De um lado, vemos o mundo en¬colher com maior acesso à internet
e com o aumento da eficiência e ve¬locidade dos transportes e da
inten¬sidade do comércio internacional De outro, nosso tribalismo
descon¬fia de culturas diferentes e reage ne-gativamente a valores externos.
Há muito tempo futuristas prevê¬em que o desenvolvimento
tecnoló¬gico deixará o mundo cada vez mais homogêneo.
Considere, por exemplo, o livro do físico Milão Kaku "A
Física do Futu¬ro", continuação de outros seme¬lhantes
que ele escreveu.
Ele entrevistou 300 cientistas pa¬ra criar uma visão utópica
de um mundo definido pela ciência. Em 2100, diz, computadores inteligen¬tes
trabalharão com humanos, o acesso â internet será por
lentes de contato e moveremos objetos com o pensamento; nanonobôs destrui¬rão
células de câncer, a propulsão a laser redefinirá
as viagens espa¬ciais e colonizaremos Marte.
Não haverá barreiras comerciais, e a mesma cultura e os mesmos
ali¬mentos serão divididos por todos. Essa homogeneização
da socieda¬de acabará com as guerras.
Essas maravilhas tecnológicas são extrapolações
do que já temos.
Se alguém tivesse previsto que em 2010 teríamos laptops capazes
de baixar remotamente gigabytes de informação ninguém
acreditaria. O difícil ê prever o inesperado.
Recentemente, o cientista político Pankaj Ghemawat, professor de estudos
estratégicos
da Universida¬de de Navarra, em Barcelona, Espa¬nha, publicou um livro
em que críti¬ca o excesso de otimismo com rela¬ção
à globalização.
Segundo ele, valores que tendem a diluir barreiras culturais vão con¬tra
a nossa natureza tribal. O autor mostra que a maior parte de nossas relações
permanece local: o correio internacional é apenas l°/o do total,
telefonemas internacionais são me¬nos de 2% e tráfego internacional
na internet representa entre 17% e 18% das informações da rede.
O fundamentalismo ê uma rea¬ção à essa tendência
homogeneizante. Quando valores externos ameaçam aqueles em que você
e seus antepassados baseiam suas vi¬das, existem duas opções:
ou você os absorve a um maior ou menor grau ou você se rebela
e se fecha ain¬da mais, reagindo agressivamente à qualquer tipo
de "intrusão".
Além de nossas famílias, nossa rede de interação
social e cultural é baseada na aliança a certas tribos: Palmeiras
ou Corinthians, brasileiro ou argentino, branco ou negro, católico
ou muçulmano etc.
A troca de idéias enriquece, mas a sua homogeneização
empobrece.
Muitas das extrapolações tecno¬lógicas que Kaku e
outros descre¬vem estão chegando. Questões re¬lativas
à cultura e mercado são mais sutis. Não há dúvida
de que barrei¬ras comerciais continuarão a cair e que a globalização
fará com que bens sejam acessíveis a um núme¬ro cada
vez maior de pessoas.
O desafio será reinventarmos nos¬sa natureza tribal. Será
que pode¬mos (ou queremos) viver sem ban¬deiras? Se não aprendermos
a res¬peitar as nossas diferenças, crian¬do uma atmosfera de
troca de infor¬mações e culturas, o sonho de um mundo melhor
pode se transformar num pesadelo nada utópico.
MARCELO GLEISER ê professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "Criação Imperfeita"
Transcrito da Folha de São Paulo
Marcelo Gleiser*